Recomendo que leiam ouvindo esta música. Acho que dará um bom 'clima'.
https://www.youtube.com/watch?v=4C330hWmES4
Ordens Finais
Um emissário bateu à porta de Aurelius.
-Senhor?
-Sim.
-Senhor, o Imperador o convocou para a cerimônia de entrega e explicação de suas ordens, no jardim de seu palácio.
-No palácio?
-Sim senhor. O Senador Tiberius também estará lá. As ordens já foram aprovadas pelo senado.
-Está bem. Estarei lá.
Aurelius parou por mais um minuto e olhou para o pátio da academia, novamente. Viu os recrutas treinando, como antes. Muitos eram jovens e homens do campo que haviam se alistado no exército em busca de riqueza. Por algum motivo, veio à sua memória um acontecimento que ocorreu no início das guerra, muito antes da Batalha de Lanchinho...
Romano: Senhor?
Aurelius: Ahn?
Romano: Senhor, ainda não está pronto? Seu encontro com o Senador e com o Imperador já está para começar!
Aurelius: Ah, sim. Apronto-me em minutos. Vá preparando meu cavalo.
Romano: Já cuidamos disto, senhor.
Aurelius: Então já estou indo.
Aurelius saiu de seus aposentos e encontrou sua escolta no pátio. Montou em seu cavalo e rumou, pelas ruas de Roma até o Palácio imperial. Aquele era um palácio único, uma das mais belas construções de toda Roma! Havia dois níveis de muros protegendo a construção principal. O primeiro muro, abastecido e interligado aos aquedutos possuía grandes fontes ao seu redor ornamentando toda a sua extensão. No interior do palácio, guarnecido por esses muros havia os jardins internos e novamente mais um nível de muros, internos desta vez, que protegiam os jardins internos. Somente após esses jardins e mais um nível de muros é que havia então o prédio Imperial. Os muros internos não possuíam muros e eram bem mais simples e tinham a única finalidade de proteger o interior do palácio e dar privacidade ao imperador.
Ao chegar com sua escolta nos portões do palácio então Aurelius teve sua entrada permitida. Caminhou pelos jardins do primeiro nível e viu alguns guardas fazendo uma ronda. Após isso aproximou-se do portão para os jardins do segundo nível e então visualizou de longe Tiberius no meio do jardim e vários outros oficiais e guardas, responsáveis pela escolta e segurança do encontro.
Aurelius se dirigiu até Tiberius e sua escolta compôs os guardas que estavam no jardim.
- Tiberius, então é hoje?
- Sim, Aurelius. Você já deve saber do que se trata, não?
- Sim, certamente suspeito. Espero por este dia a muito tempo. Descobriram a rota?
- Nosso agente duplo nos entregou.
- E você confia nele?
- Você só não foi capturado pelos gardenianos por culpa desse agente. Ele denunciou a posição do acampamento dos reforços gardenianos, que esperavam por uma brecha para atacar no nosso retorno à Roma.
- Só estava perguntando. Não confio em gardenianos.
- A guerra muda nossos princípios, Aurelius. Pensei que já soubesse disso.
- Infelizmente.
Enquanto os dois continuavam a conversar o sol atingia exatamente o meio do céu naquela manhã, deixando todos à sua mercê e fazendo-os desejar mais do que nunca que esse evento terminasse e que eles pudessem então se refrescar ou ir para alguma sombra. As duas únicas árvores que haviam neste jardim ornamentavam onde o imperador ficaria, com sua pequena mesa. Não tardou até que dois guardas anunciaram a chegada do imperador.
O imperador então chegou e foi saudado por todos. Se aproximou de sua mesa, na confortável sombra de uma árvore começou o seu discurso:
- Senhores Oficiais! Como me animo em tê-los aqui nesta manhã! A guerra tem consumido muito de nosso império, de nossos jovens, de nossas forças e de nossos recursos! Senhores, hoje, porém, colocaremos um ponto final nesta história! – os oficiais todos urraram com fervor – Sob o comando do Senador Tiberius e do General Aurelius temos conseguido chegar até aqui, com uma pequena vantagem. Tiberius tem mobilizado o senado, mesmo cheio de senadores e tribunos contra à guerra, ao nosso favor enquanto Aurelius tem liderado cada um dos nossos homens até a vitória, eliminando vários daqueles guerreiros gardenianos que dividem o comando de suas tropas. Ineficientes, contudo. Com o poder descentralizado suas tropas perdem força. Hoje, senhores, confirmo um feito do nosso grande senador que, apesar de não estar lutando na linha de batalha hoje pode selar a vitória do nosso império! Tiberius possui vários contatos e informantes nos diversos reinos e nações do mundo, desde África até mesmo em Gardênia! Sabemos que o máximo que nossas tropas conseguiram chegar em território inimigo foi até umas densas florestas, que desconhecemos sua topografia e cartografia mas que certamente temos conhecimento dos seus grandes paredões e encostas que dificultam, ou melhor, tornam impossível qualquer incursão rumo à capital deles. Protegida por essas matas e essas montanhas em algum lugar fica a tão cobiçada cidade. Sem uma rota é impossível lutar naquele terreno! É como eu lhes disse, senhores, sem um mapa ou uma rota não é possível lutar ali. Acontece que Tiberius conseguiu este mapa. E não só isso, mesmo com o mapa ainda faltava convencer o Senado de que não seria suicídio tal manobra. Tiberius também conseguiu esse feito. Hoje, senhores, posso então oficializar minhas ordens com o aval do senado: Sob a liderança de Aurelius, senhores, marchemos até Gardênia!
Todos os romanos, então, clamaram com fervor a ordem do imperador! Oficialmente, agora, marchariam até a capital gardeniana para pôr um fim na guerra!
Naquele momento, porém, saltou sobre o muro um rápido guerreiro gardeniano seguido por outros tantos mais, tão rápidos quanto! Com as espadas às mãos, uma em cada, começou um combate no meio do murado jardim do imperador que ficou cercado e via seus guardas e oficiais lutarem!
Jun Guüayn liderava os gardenianos! Assassinos, ágeis e guerreiros impiedosos!
Guüayn saltou para o lado de Aurelius e desferiu um golpe de espada, que foi bloqueado pelo romano. Ao mesmo tempo, com o outro braço atacava Tiberius que com sua espada bloqueou o ataque.
Num movimento sincronizado de mãos ele girou as duas e, em sentidos opostos desferiu novos ataques, saltando e mudando a posição inicial de seus ataques. Os romanos foram pegos de surpresa e, apesar de bloquearem o ataque acabaram recuando um pouco devido à força de Guüayn. Novamente ele deu um salto mas não desferiu qualquer ataque e, quando mal pisou no chão saltou novamente, encobrindo Tiberius e se projetando na frente de Aurleius, desviando assim do golpe do senador.
O combate se desenrolou e os gardenianos foram aos poucos ceifando rapidamente os romanos. Tiberius quase foi ferido em outro golpe rápido de Guüayn e, quando tentou revidar teve que bloquear mais um golpe. Agora o gardeniano golpeava-o sem parar, alternando de espadas e lados, enquanto desviava sem nenhum esforço de Aurelius.
Seguido por seu mascote, um tigre de bengala, Jun Guüayn vai encurralando o os dois e o combate passa a ficar mais intenso quando Guüayn, com dois golpes seguidos, lança ao ar as espadas de Tiberius e Aurelius e imediatamente colocando suas duas espadas em seus pescoços. Sem opção, os dois pararam de lutar por suas vidas e se renderam!
Tiberius e Aurelius já haviam se rendido e agora o imperador também se via cercado. Era o fim.
Então encurralados, os oficiais romanos esbravejam:
- Como entraram aqui? Como chegaram? – perguntava o imperador
- O fluído que você ostenta é também uma janela para sua alma, sabia disso?
-Como é? – indagou o imperador, sem sequer ter entendido o que o gardeniano falara.
- Apenas fique calado.
Reforços romanos eram ouvidos dos jardins externos marchando para dentro do palácio imediatamente após o combate terminar. Porém o sol foi ofuscado por um momento e viu-se um grupo de Zelotes Místicos, liderados por Darimir, pousarem. Emanavam magia.
- Como combinado no ângulo preciso, Darimir. Hora de levá-los ao rei e terminar com isso tudo.
-Não iríamos falhar com vocês, Guüayn.
-DARIMIR? DARIMIR, TIRE-ME DAQUI! – esbravejava Tiberius.
-Como disse, escória romana?
-TIRE-ME DAQUI, VAMOS, RÁPIDO! MATE ESSES GARDENIANOS E TOMEMOS A CAPITAL!
-Engana-se, meu caro, em pensar que eu lhe ajudaria. Vou levá-lo até a capital, sim, como você tanto queria. Mas será como meu prisioneiro. Ah, a propósito, acredito que não haverão sobreviventes deste pequeno episódio para relatar o que vou lhe dizer. Sabe aquele mapa que tanto barganhou comigo e que agora será usado por suas tropas para vingar este sequestro? Espero que seus homens não sintam sua falta e não pensem em vingá-los usando ele... Seria um triste fim para eles.
-Traidor!
-Traidor, eu? Não se engane, Tiberius! Sempre fui leal ao Rei. Este tempo todo as informações que passei para você nunca foram corretas. Aliás, não fui eu quem quis matar um outro senador usando como desculpa um suposto sentimento de vingança gardeniano após uma vitória romana, estou certo? Aposto que encontrará Cassius no inferno, quando você estiver por lá – falou o gardeniano em tom de desdém.
Darimir então agarrou o Imperador enquanto dois outros zelotes agarraram Tiberius e Aurelius, todos devidamente algemados e decolaram voos, ao som dos romanos que cada vez mais se aproximavam do jardim interno.
- Vamos sair daqui antes que cheguem! – Exclamou Jun Guüayn.
E seus homens saltaram pelo muro e ceifaram aqueles que estavam no seu caminho, saindo do palácio sem deixar quaisquer vestígios, da mesma maneira que entraram. Darimir voava com o imperador, Tiberius e Aurelius à Capital de Gardênia enquanto os guardas enfim chegavam ao jardim central. Só encontraram os corpos e as ordens assinadas pelo imperador e pelo senado no chão. O Sentimento de vingança tomou conta de Roma.
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