O que Goramorir nos disse!
Apesar das inconveniências das Guerras Românicas as vilas e os cidadãos gardenianos não poderiam mudar seu modo de vida repentinamente! Poderiam? Sim, a Guerra trouxe várias complicações, falta de segurança e, sobretudo, a cultura gardeniana já mostra sinais que está ruindo: as vilas médias já não adotam o sistema de confiança e retribuição nos negócios; há cães de guarda por toda parte; milícias são treinadas nas pequenas vilas para garantir a segurança e evitar saques!
Porém, alguns lugares mais dentro do território gardeniano tentam a todo custo manter suas vidas como eram antes da guerra.
Os casais e as pessoas vivem nos gramados e nos campos, realizando tarefas para o bem comum da comunidade, seja cortando lenha, seja colhendo frutos, seja levando as ovelhas para pastarem ou pescando.
E, como em toda vila pequena gardeniana, como de costume, a casa do horteiro é sempre uma das mais visitadas pelos moradores em busca dos produtos da estação, sempre frescos, e cultivados com amor e sabedoria. O crédito e reconhecimento ganhos ao prestar bons serviços na comunidade e ao ajudar o bem estar de todos podem ser trocados aqui por ótimos alimentos!
Esta pequena vila, entretanto, tem um ilustre morador: Goramorir, o mestre ferreiro, considerado por todos o ferreiro mais sábio de toda gardênia, vive aqui com sua esposa Heralan, sua filha Nooramar, e seu aprendiz Tellon. Apesar de toda sua sabedoria o ferreiro não costumava, desde muito antes da guerra, forjar armaduras para qualquer soldado. Ele é o escolhido pelos cavaleiros reais para forjar suas armas e armaduras!
Numa tarde do verão Adalinnood e Ennë'ya , algumas semanas após o incidente com os romanos e a morte de seus companheiros Toramir e Horathor, chegam a pequena vila e são muito bem recepcionados pelos cidadãos locais.
Ennë'ya: Adal, puxa, fazia tempo que não via uma vila pequena como esta, alegre e próspera! Lembra-me muito da pequena vila que cresci até resolver ir treinar e ser um Cavaleiro Real e..
Adalinnood: Confesso que também fazia tempo que não via alegria e o antigo espírito gardeniano. Vamos, a Oficina de Goramorir é logo mais acima...
Os cavaleiros caminham pela cidade cumprimentando os cidadãos que encontram pelo caminho até chegarem em frente a Oficina de Goramorir e verem o grande ferreiro trabalhando arduamente, como sempre.
Adalinnood se aproxima de Goramorir e o saúda:
Adalinnood: Olá, mestre Goramorir! Quanto tempo!
Goramorir: Oh! Se não é o elfinho espero, hãm? Quanto tempo meu amigo! - e soltou uma risada breve - Como tem passado, hãm? Matando muitos romanos, aposto! - e novamente riu.
Adalinnood: Certamente! Mas a guerra também me trouxe muitas perdas... Vi muitos daqueles que iniciaram comigo... bem... morrerem. Mas, é meu dever lutar e proteger gardênia! E vejo que tenho feito um bom trabalho porque, veja só, esta vila está uma perfeita vila gardeniana! Não mudou nadinha!
Goramorir: Hehehehehe . Sim, a pequena vila não mudou nada, hehehe. Temos tomados algumas precauções como os cães e os homens treinaram todos um pouco de combate com espadas.. Forjei espadas para todos! Hehehehe. E esse aí, ao seu lado, acho que ele já veio aqui mas não me lembro de seu nome, hã? - e soltou outra risada.
Adalinnood: Este é Ennë'ya. Sim, ele esteve a alguns anos aqui para que você forjasse sua ala...
Goramorir: Ennë'ya!! - e soltou uma longa risada - Claro que me lembro! Chegou aqui todo valente, todo pomposo, feliz da vida com a sua consagração! Forjei uma alabarda de runita e um escudo de mithryl para ele! Me lembro, claro que me lembro! - e riu novamente - Puxa vida! Continua sorrindo todo você, hã, ruivinho?
Ennë'ya: Olá, mestre Goramorir! O que posso fazer... Esse é meu jeito!
Ennë'ya foi interrompido por uma mulher enquanto Adalinnood continuava a conversa com Goramorir
Mulher: Com licença? O Senhor é um cavaleiro real, não é?
Ennë'ya: Sim, senhora! Sou um cavaleiro real que luta para proteger e defender Gardênia de todo o mal!
Mulher: Ual! Bom, parece que você é um pouco audacioso, não?
Ennë'ya: Como assim?
Mulher: Não está me reconhecendo??
Ennë'ya: Ahm.. Não, senhorita.. Desculpe-me, mas...
Mulher: Puxa, Enn!!! Sou eu!!! Ariel!
Ennë'ya: Ariel?? - um sorriso de bochecha a bochecha cresceu no rosto do cavaleiro - ARIEL!!! Puxa vida, Ariel!! Quanto tempo! Ual, você está tão grande e..
Ariel: Você também, Enn! Você também cresceu! E ficou forte! Mas continua todo audacioso!
Ennë'ya: Ahhh, Ariel! Puxa vida! Como estou feliz de te ver! Quanto tempo faz que não te vejo? Desde que saí de casa, não?
Ariel: Sim, desde que você saiu da vila... Fazem 13 anos, Enn! O que traz você aqui, neste fim de mundo, longe dos romanos e...
Ennë'ya: Assuntos da ordem, desculpe, Ariel..
Ariel: Puxa, segredos, agora? E justo comigo??
Ennë'ya: Não é segredo... É que, bem, eu não posso te contar... Mas não é porque não quero! É para sua segurança...
Ariel: Hum... Sei...
Goramorir: Mas o que traz dois Cavaleiros Reais, em plena guerra, aqui, a minha pequena oficina? Minhas armas são indestrutíveis! Não quebrariam em combate se usadas com amor e...
Adalinnood: Realmente não são nossas armas nem armaduras que nos trazem até aqui, Goramorir. Gostaria de conversar com você, pode ser? Mas, em particular...
Goramorir: Conversar comigo? O que eu poderia saber que qualquer mestre ou conselheiro dentro da Ordem dos Cavaleiros Reais não pudesse saber e ajudar vocês, hã? Sou só um mestre artesão, não sei de muita coisa...
Adalinnood: Acontece que não confio em ninguém dentro da ordem para me ajudar neste assunto..
Goramorir: Como não? A ordem é a ordem! Não haveria motivos para desconfiança entre vocês... E seus parceiros iniciáticos? E os sábios Tornarör, e Hëllenger? Eles não poderiam ajudar você nisso?
Adalinnod: Meus irmãos morreram, todos, em um incidente recente.... Tornarör caiu em uma emboscada a mais ou menos um ano e Hëllenger foi morto em combate...
Goramorir: Puxa, puxa vida! Sinto, sinto muito, elfinho... Vejo que as coisas estão sérias... Bom, no que eu posso ajudar você, se é o que deseja...
Adalinnood: Gostaria de conversar a sós com você, poderia ser? Não quero atrapalhar o seu trabalho, então eu e Ennë'ya estaremos pela vila passeando, e passaremos a noite na sua casa, para podermos conversar melhor.
Goramorir: Claro! Minha casa está sempre de portas abertas para receber todo gardeniano que precisa de ajuda!
Adalinnood: Enn, você tem a tarde inteira livre para aproveitar e conhecer a vila e... Nada de galantear as senhoritas, Enn! Sabes que você não ficará por aqui por muito tempo e..
Ennë'ya: Ah, Adal! Não estou azarando ela não! É uma velha amiga, Ariel... Morava na vila onde cresci!
Adalinnood: Prazer, senhorita! Bom, sendo assim.. Você precisa estar ao anoitecer na cabana do Goramorir.
Ennë'ya: Pode deixar!
Os cavaleiros passaram a tarde toda na vila conhecendo os cidadãos e conversando, aproveitando uma vida calma que parecia mentira existir durante um período tão turbulento e de tantas guerras!
Ao anoitecer os cavaleiros então se retiraram para a cabana do ferreiro. Sua mulher e filha o recepcionaram muito bem.
Goramorir: Minha cabana é sua cabana! Não é assim que diriam na capital? - e soltou uma risada bem alta!
Adalinnood: Agradecemos novamente a hospitalidade. Entretanto, o assunto é um assunto secreto e muito peculiaridade, será que sua mulher e filha se importariam de nos dar licença?
Heralan: Claro que não, cavaleiro! Perdoe-nos! Vamos nos retirar. Vamos lá para cima. Vamos, filha.
As duas saíram.
Goramorir: Então, meus caros, sentem-se! Querem comer? Pegamos hoje umas maçãs fresquinhas com o Hortelão, e pão que o vizinho da frente fez... Também temos néctar de cereja e...
Adalinnood: Estamos bem, obrigado.
Ennë'ya (sussurrando) : Estamos bem? Estou morto de fome!
Adalinnood (sussurrando) : Estamos bem, sim senhor! Aquiete-se, porque o assunto é importante!
Todos se sentaram.
Goramorir: Então, o que é de tão importante, elfinho?
Adalinnood: Coisas muito estranhas estão acontecendo, Goramorir. Não vem ao caso explicá-las, mas, coisas realmente estranhas estão acontecendo. Sinto as trevas muito mais fortes do que antes..
Goramorir: É claro que iria sentir, ehn, elfinho! - Até parece que numa guerra as coisas ficariam calmas! Como você é ingênuo! - e soltou uma risada
Adalinnood: Não, não é disso que estou falando.. Sei que numa guerra as coisas ficariam estranhas e cruéis, mas, não é exatamente disso que estou falando... Tem acontecido.. Bem, tem acontecido um grande massacre de cavaleiros reais. A ordem perdeu mais de metade deles.
Goramorir: Mais de metade?? Está de brincadeira, vocês são os melhores e.. Puxa, se vocês estão morrendo, imagine então quantos soldados inferiores tem morrido!
Ennë'ya: Pois é! Muitos tem morrido, mas tem algo por trás disso... É tudo culpa daquele romano, o Aurelius.. Ele jurou matar cada um de nós.. E, ele é realmente muito bom.. Não sei qual o seu segredo, mas ele é realmente bom!
Adalinnood: Não, Ennë'ya! Aurelius pode ser um difícil oponente e ele mesmo ter matado vários dos nossos... Mas acho que a culpa pode não ser toda dele.. Depois de Horathor e Toramir..
Goramorir: O que aconteceu?
Ennë'ya: Bem.. estávamos em uma missão de escolta do rei.. Nunca somos destacados para algo assim tão.. erhm... chato! Mas fomos.. Toramir nos acompanhou e Horathor já estava no lugar... Era um templo, antigo e abandonado... Mas, houve uma emboscada, romanos, leões e...
Goramorir: Puxa vida, Leões! Eu tinha ouvido um homem outro dia no bar comentar sobre os romanos terem domesticado leões... Não são tão espertos.. Nem nós, bárbaros, fortes e ligados com a terra conseguimos o feito com animais tão ferozes! O máximo que conseguimos foram com lobos e aves... Nunca chegamos nem perto dos ursos! Leões? Sinto cheiro de magia, e das fortes!
Adalinnood: Exato. Leões. Também não conseguimos uma explicação para isso. Nas para cada dez ou quinze romanos há uma leoa pronta para o combate... Elas são mortais e não podemos contra tanta velocidade... Isso é algo que até hoje não consegui entender.. Sinto as forças das trevas por trás disso...
Goramorir; Com certeza! E, foi isso o que aconteceu? Leões?
Adalinnood: Não, exatamente... Acontece que estávamos escoltando o rei, que todavia não havia chegado. Depois de um tempo ele chegou. Agora vem o curioso: o rei estava lá não para ser destacado para algum lugar ou coisa do gênero, não.. Ele estava lá para se encontrar com Darimir... Um Cavaleiro Real, Zelote Místico.. Acho que você não o conheceu..
Goramorir: Darirmir? Zelote? Nunca, nunca apareceu nenhum zelote por aqui!
Ennë'ya: Puxa, que estranho!
Adalinnood: Bom, eu suspeitava isso. Mas, como ia dizendo, ele se encontrou com esse cavaleiro real. O curioso é que Darimir e seus homens vinham trazer uma encomenda para o rei. Um baú. Trouxeram também um baú de ouro, que foi totalmente distribuído entre os homens, tanto da escolta como os de Darimir...
Goramorir: Que estranho.. O rei queria ouro?
Adalinnood: Não, ele queria um outro baú, pequeno, que Darimir lhe entregou, pessoalmente.
Goramorir: Hmm... E por que essa entrega tinha que ser feita num templo abandonado, no meio da floresta?
Adalinnood: Exatamente, também estranhei isso. Não sabíamos da missão. Soubemos da entrega apenas na hora em que ocorreu.. O rei destacou quatro cavaleiros reais que poderiam estar lutando contra romanos para assegurar que uma entrega, feita por outro cavaleiro real, fosse feita! Isso é estranho demais!!!
Ennë'ya: e como é... Mas o pior vem aí, é que o rei..
Adalinnood: Deixa que eu conto, Enn. - Goramorir não riu, desta vez, estava sério - Agora, lembrando da situação, ficou bem claro que o rei queria muita proteção, porque seu baú era importante, e, ao mesmo tempo, não queria que ninguém visse a entrega, por isso foi feita longe da segurança da capital. Para assegurar que ninguém lá contaria da entrega o rei distribuiu muito ouro, realmente tinha muito ouro nos baús a serem distribuídos. Todos os soldados ficaram cegos!
Goramorir: Isso não cheira bem...
Adalinnood: Não, não cheira. O mais estranho é que Aurelius, aquele romano que mata os cavaleiros reais, apareceu emboscando a todos nós !
Goramorir: Estranho! Cinco cavaleiros reunidos por uma missão sem sentido e Aurelius os encurrala? Estranho!
Adalinnood: Preferi nem pensar nessa conspiração, mas não consegui. Sim, ele nos encurralou. Ele sabia que estaríamos lá, levou muitos romanos e muitas, mas muitas leoas! Foi um massacre...
Goramorir: E o rei, o que fez? Lutou com vocês?
Adalinnood: o rei lutou, um pouco, mas estava mais preocupado em proteger o pequeno baú que lhe foi entregue do que lutar. Os zelotes fugiram todos quando viram as leoas. Elas são letais para eles, muito mais do que para nós... Ficamos lá, encurralados, tentando proteger o rei, que por sua vez queria proteger o maldito baú!
Goramorir: Hm...
Ennë'ya: nós até poderíamos ter fugido enquanto alguns lutavam e freavam o ataque, mas o rei não queria largar o baú!
Adalinnood: Sim... Enquanto nossas forças iam acabando e o rei nada fazia e nenhum feitiço lançava para nos ajudar, resolveu usar de magia!
Goramorir: Até que enfim! Covarde! Nunca gostei desse homem, mesmo. O antigo grão-conselheiro era muito melhor..
Adalinnood: Ele lançou uma grande explosão, realmente grande. Que matou mais gardenianos do que romanos ou leões! Um dos meus irmãos na explosão..
Goramorir: Santa Mãe!
Ennë'ya: É, é, pois é! Eu fui lançado para longe! E, se não bastasse isso, ao invés dele nos ajudar ele nos sentenciou a morte!! Conjurou um dragão e fugiu! Isso mesmo, um dragão!!
Goramorir: Não posso acreditar nisso! Se ele usasse o dragão para lutar e... Ah, quem quero enganar? Um dragão?! Ele tinha muita magia, dominava muita magia, porque não os ajudou?!
Ennë'ya: Não sei. Aurelius golpeou o pequeno aqui e achou que o matou. Eu estava fraco demais e ferido demais e Aurelius me deixou lá, pensando que eu morreria. Ele não contava que eu fosse me recuperar com um pequeno feitiço de cura, que proferi em silêncio, e só nós dois sobrevivemos..
Goramorir: Que sorte lascada vocês tiveram... E voltaram para o conselho? Falaram o que aconteceu para a ordem?
Adalinnood: Não, não falamos. Na realidade nós não voltamos para a capital desde então. Para o conselho, o rei e todos estamos mortos em batalha.
Goramorir: Entendi... Não queriam ser achados, não?
Adalinnood: Não até descobrirmos o que está havendo.. Achamos que o rei realmente queria nossa morte. E ele esperava sim um ataque de Aurelius lá. Acreditou que se Aurelius não nos matasse aquela explosão nos mataria e ele poderia fugir com o Baú...
Goramorir: Ah, sim, tinha esquecido do baú, hãm? O que tinha ele de tão especial?
Adalinnod: Não chegamos a abrir. Mas Aurelius estava mais preocupado em pegar o baú do que matar cavaleiros reais. Um zelote atacado por uma leoa estava no chão e, para nossa sorte, não estava morto. Fizemos ele falar...
Goramorir: E o que é? O que é?
Ennë'ya (soltando rapidamente e animado) : As Três Orbes de Frestram!
Goramorir: Frestram? Orbes de Frestram? - e soltou uma cara de espanto
Adalinnood: Exatamente. Nós queríamos saber se você sabe alguma coisa sobre elas..
Goramorir: Olha, eu não sei nada sobre as Três Orbes de Frestram.. Vocês perderam o seu tempo vindo até aqui...
Ennë'ya: Droga, Adal! E agora, como faremos?
Goramorir o interrompeu.
Goramorir: Mas eu sei sobre quem foi Frestram.
Os dois sorriam
Adalinnod: Poderia nos contar? Já nos ajudaria...
Goramorir: Claro! Eu nunca ouvi falar dessas orbes, mas, Frestram sei quem foi! Reza a história gardeniana que Frestram foi um grande guerreiro nativo deste plano mesmo, um bárbaro, que lutou por Gardênia e praticamente fundou a cidade capital. Frestram foi um bravo guerreiro. Ele não só era um grande bárbaro como também se relacionou com os magos e elfos gardenianos com a finalidade de aprender muito sobre magia.. E conseguiu. Frestram aprendeu demasiado sobre magia e com seus dons de batalha. Frestram foi eleito um conselheiro do grande conselho que na época governava Gardênia, até! Forte homem, forte... Mas deixou o poder subir à cabeça, sabem como é... Frestram acabou abdicando de tudo o que conseguiu aqui em Gardênia e rumou para o sul, descompensado, mas alegando que criaria um reino e um império digno de seu poder e ele seria o maior do mundo..
Ennë'ya: E ele conseguiu? O que aconteceu com ele??
Goramorir: Bom, ninguém sabe o que aconteceu com ele. Esta parte da história não está muito clara.. Alguns dizem que ele morreu caindo de um penhasco. Outros dizem que um leão comeu sua cabeça enquanto dormia.. Outros, ainda, dizem que ele não conseguiu criar esse império e acabou se casando com a sobrinha de um reinado, tendo dois filhos.. Porém, num acesso de loucura, ele matou a esposa e se matou, logo em seguida...
Adalinnood: Dois filhos? Para onde disse mesmo que ele rumou?
Goramorir: Para o sul...
Adalinnood: Eu acho que ele conseguiu o que ele queria...
Goramorir: Como?
Adalinnod: Seria muita loucura pensar que ele foi ao sul o suficiente para chegar perto do território da capital do atual império romano? E, que esses mesmos dois filhos seriam Remo e Rômulo? Não acho que seria exagero considerar que para um povo sem magia, como os antigos latinos, Frestram pudesse se parecer com um deus... E, com toda sua força e bravura, fosse o deus romano Marte e...
Goramorir: Bom, eu não sei nada da história desse povo aí.. Mas, se você acha que pode ser isso...
Adalinnood: Sim, eu realmente acho que Frestram pudesse ser considerado o antigo deus Marte deles. Era muito comum deuses e humanos se relacionarem por aquelas bandas.. Herdaram isso dos gregos, claro. Os meninos foram então criados por uma loba e essa é a lenda que conta a criação do Império Romano...
Goramorir: É tudo o que sei.. Acho que dei uma luz para vocês, não?
Adalinood: Sim! Com certeza deu. Mas isso não explica o que seriam essas orbes...
Ennë'ya: Orbes de Frestram... Ele era um mago, também, tecnicamente falando, não era?
Goramorir: Você matou a charada, ruivinho! Ele apesar de ser um grande guerreiro aprendeu muito sobre magia. E, se era um mago, ele talvez tivesse criado orbes, para armazenar magia e conhecimento! Talvez essas tais Orbes de Frestram fossem suas orbes!
Adalinnood: E, se elas foram orbes de um guerreiro tão poderoso é notável que os romanos a quisessem. Ou melhor ainda, é muito provável que os romanos a tivessem sob seu controle...
Ennë'ya: isso explicaria como eles domesticaram os leões! As orbes devem ter dado o conhecimento para a domesticação!
Adalinnood: Sim, devem sim! Mas acho ainda que eles não sabiam usar todo o poder delas.. Não totalmente. Talvez Aurelius soubesse usar um pouco mais delas, o que explicaria sua excepcional habilidade em luta, mas não soubesse usufruir de toda sua magia... Já o nosso rei-mago..
Goramorir: Ele saberia usá-las! E, com tanto poder assim, nada ficaria no caminho dele! Seria o fim de Roma! Venceríamos a Guerra!
Adalinnood: Isso se ele as usar para acabar com Roma, não? Você mesmo disse que o próprio Frestram não conseguiu conter todo o poder e se corrompeu...
Goramorir: É... Bem, é o que podemos supor!
Ennë'ya: E o que vamos fazer?
Adalinnood: Vamos para cama. Amanhã teremos um longo dia pela frente e já ocupamos demais o tempo do nosso amigo, não? Vamos voltar à capital.
Ennë'ya: A capital??
Goramorir: Acho que é o melhor que podem fazer. Talvez haja alguém em quem confiar na ordem...
Adalinnood: Exatamente. Obrigado, amigo, pela informação! Vamos subir e nos deitar, está bem?
Goramorir: Sintam-se em casa!
Ennë'ya: Bem.. Eu vou andar e tomar um ar.. Preciso esfriar a cabeça e..
Adalinnod: Vá, criança. É muita informação para uma mente tão jovem, eu sei..
Ennë'ya saiu e os outros foram deitar.
No meio da vila, Ennë'ya encontrou-se com Ariel
Ennë'ya: Sabia que a encontraria aqui! Sempre gostou de fazer passeios noturnos!
Ariel: Sim, sempre gostei..
Ennë'ya: Não mudou nadinha, não foi?
Ariel: Não.. Mas você mudou, heim? Está mais forte, mais valente, aposto!
Ennë'ya: É, já matei muitos romanos por aí e...
Ariel: Mas continua o mesmo! Se gabando! - soltou uma risada breve
Ennë'ya: Sim, erhm.. Bem... Erhm..
Ariel: Siim?
Ennë'ya: Bem... Eu, arm.. Ariel... Eu... - Estava todo encabulado! - Erm.. Bem - e desconversou - estou morrendo de fome! Aquele elfo não come nada e acha que eu não sinto fome também!
Ariel riu.
Ariel: Venha, vamos pegar umas maçãs. Foram colhidas hoje, estão fresquinhas!
Ennë'ya: Mas não vou acordar o Hortelão agora, ele está dormindo...
Ariel: Você passou tanto tempo fora que se esqueceu como as coisas funcionam aqui no campo, foi? Não precisamos pagar. Se queremos podemos pegar... Mas, em troca, devemos estar sempre fazendo algo de bom para todos na vila..
Ennë'ya: Ah, éh! Mas eu não fiz nada por vocês, ainda..
Ariel pegou uma maçã no balaio.
Ariel: Pegue, coma esta. Estou pegando-a pelos meus créditos! - e riu - Mas, acredito que um cavaleiro real já tenha créditos suficientes para pegar o que quiser!
Ennë'ya: Bom.. Estou com fome, sabe como é! Não vou negar!
Riram ambos.
Ariel: Mas, então.. O que faz você estar aqui, agora?
Ennë'ya: Já disse que é secreto, Ariel..
Ariel: Não, digo, aqui fora, agora.. Você veio aqui por algum motivo. Por quê?
Ennë'ya: Bem.. Eu sabia que ia encontrar você aqui.
Ariel: E seu eu não estivesse aqui?
Ennë'ya: Bom, eu tinha esperanças de que você estivesse.
Comeram as maçãs.
Ariel: Senti sua falta.
Ennë'ya: Eu também senti, Ariel. Não sabe como!
Ariel: Todos esses anos eu nunca esqueci de você, Enn... Nunca...
Ennë'ya: Você sabe que você foi muito importante para mim, não sabe?
Ariel: Só fui?
Ennë'ya: Não! Ainda é!!
A esta altura da conversa as maçãs já haviam sido comidas.
Ariel: Eu sei, Enn... Mas, por que você nos abandonou?
Ennë'ya: Eu tinha que sair da vila. Tinha que treinar para ser um cavaleiro real!
Ariel: Mas, e quanto a mim? Não é muito comum cavaleiros reais se casarem..
Ennë'ya: Eu sei disso.. Mas, nunca me esqueceria de você...
Ariel: Esqueceu! Esqueceu! Tanto o fez que nem lembrou-se de mim quando me viu, Enn!
Ariel se afastou .
Ennë'ya foi até ela e colocou a mão em seu ombro.
Ennë'ya: Eu não te reconheci porque você mudou muito, Ariel! Poxa vida, fazem 13 anos que eu não vejo você. Vejo cidadãos, pessoas, vilas, soldados, feridos, mortos, romanos... Tanto tipo de gente a todo instante na minha vida que não guardo mais fisionomia nenhuma! Não me culpe!
Ariel: Não encoste em mi!
Ennë'ya: Mas eu não esqueci da promessa que eu fiz para você.
Ariel: Você.. Você lembra?
Ennë'ya: Claro que me lembro.
Ennë'ya: Eu prometi que iria voltar para você, não prometi? Prometi que iríamos casar, ter filhos e construir uma cabana no alto da colina, que desse uma bela vista para os campos e também para o rio, não prometi?
Ariel: Sim... Você lembra! Oh, Enn!
Ennë'ya: Mas a guerra me fez pensar se isso talvez um dia vá acontecer..
Ariel: Enn! Largue essa luta! Não importa quem nos governe, viveremos felizes e..
Ennë'ya: Não é assim. Se os romanos conseguirem tomar gardênia nossos campos irão todos cair e acredite, sofreremos. Você nunca viu uma vila romana...
Ariel: Enn...
Ennë'ya: Mas eu prometo, Ariel, que voltarei por você.
Ariel: Não posso ficar longe de você! Não posso esperar você voltar! E se você não voltar?
Ennë'ya se aproximou...
E a beijou!
Ariel: Enn! Esperei minha vida toda por este momento!
Ennë'ya: Acredite, eu também.. Todo este tempo nunca me interessei por mulher alguma.
Ariel: Enn, largue o exército.
Ennë'ya: Já disse que não posso, meu amor.. Não posso.
Ariel: Mas, e se você não voltar?
Ennë'ya: Então não vamos esperar que eu volte. Vamos aproveitar pelo menos esta noite como um verdadeiro casal de namorados.
Ariel: Enn! Que ousadia!
Ennë'ya: Não é disso que vocês me chamam?
Ariel: Também! Seu audacioso!
Ennëya riu.
Ennë'ya: Só tem um problema.. Eu não tenho casa aqui, sabe como é... E acho que não ia ser muito legal ficarmos na casa do Goramorir.. Tem ele, a mulher, a filhinha, o aprendiz nos fundos... e o Adal, também... Não ia ser legal e...
Ariel: Venha por aqui. Vou lhe mostrar minha cabana. Os dois trocaram aquele olhar de cumplicidade e carinho que só dois amores realmente trocariam.
Os dois caminharam para a cabana de Ariel e lá passaram a noite.
Amanheceu.
Adalinnood: Não quero nem saber dessa sua aventura, Ennë'ya! Nem me conte. Vamos para a Capital, vamos.
Ennë'ya: Sim senhor! - respondeu o cavaleiro, rindo e com um sorriso alegre e maroto no rosto.
Adalinnood: Adeus, Goramorir! Adeus a todos! Obrigado por tudo!
Ennë'ya: Adeus!!!
E os dois cavaleiros foram pela estrada rumo à Capital. Ariel só acenava, de longe, junto aos moradores. Já havia se despedido antes do cavaleiro pessoalmente.
