A Farsa de Gardênia
Endör, Hegör, Uhuru e Pili caminham pelas matas de Gardênia, agora, em sua viagem de volta até à Capital para relatarem ao conselho tudo o que descobriram e o que aconteceu com o Cavaleiro Real Gorthon. No trajeto encontraram uns destroços de construções gardenianas destruídas no início da guerra.
Endör: Olhe ali, podíamos descansar um pouco por ali, não podíamos? Estamos andando a mais de horas, sem parar.
Todos concordaram e rumaram para um dos destroços, parcialmente coberto do sol.
Hegör: Certo. Estamos a apenas dois dias da Capital. Acredito que, se entrarmos pelos portões ou pelas estradas principais o Rei e talvez mais traidores saberão que estamos lá muito antes de chegarmos ao conselho. Acho que deveríamos dar uma volta e demorar mais meio dia para chegar lá, porém, entrarmos pelas galerias que dão ao rio. Ficam no limite entre a Capital e as Terras Élficas, talvez...
Endör: Eu acho seguro... Não há guardas por aquela parte da cidade. Certamente não nos verão.
Hegör: Então está decidido. Falaremos com o mestre Thoron e ele saberá o que fazer. E somente com ele deveremos nos reportar.
Endör: Sim...
* * TSSC * * - Um barulho na mata alertava os guerreiros que alguém estava chegando
Uhuru: Rápido, se forem batedores romanos teremos que derrubá-los!
Os guerreiros então saem do abrigo e se preparam para derrubar possíveis inimigos
Endör: OH! São vocês! Adalinnood e Ennë'ya! Mas... Vocês não estavam... Mortos?
Uhuru: Olha só! Adal!! Puxa, quanto tempo!!
Hegör: Acho que não precisamos derrubá-los, não?
Endör: Acho que não, irmão!
Adalinnood: Puxa vida! Como é bom encontrar vocês! Não sabem o que passamos e... Bem, não estamos... Puxa! Olha, precisamos conversar... Acredito que as coisas, a guerra.. Bem, elas não sejam como parecem.
Endör cochichou para seu irmão:
Endör: Não sei se deveríamos confiar neles.. E se estiverem ligados com o Rei e a traição e...
Adalinnood: Eu e Ennë'ya vimos o próprio rei assassinar um cavaleiro real! Os zelotes, também... Acreditamos que ele está traindo o Reino, planejando um golpe ou algo assim. Fomos falar com Goramorir e ele nos contou a história de um antigo rei que tentou fazer a mesma coisa...
Hegör, agora, cochichou para seu irmão, em resposta:
Hegör: Eu acho que devíamos!
Endör: Por que não conversamos? Também acabamos de descobrir umas coisas sobre isso tudo....
Todos então voltaram para os destroços e começaram a conversar.
Adalinnood: Bom, vou pelo começo: Eu, Adal, Horathor e Toramir estávamos numa missão que não fazia muito sentido, mas o rei havia requisitado, com muita clareza, nossa presença. A princípio parecia apenas uma missão de escolta do Rei, que provavelmente se encontraria com alguém importante para negociar os termos de paz, ou algo assim... Mas depois Darimir chegou, e percebi que a missão era apenas escoltar essa entrega.
Ennë'ya: Algo que me deixou muito desconfiado, desde o início, foi que era uma simples missão de entrega, por que não ocorrer na Capital? Em segurança? Talvez ele não quisesse que ninguém visse...
Adalinnood: Então Darimir entregou um baú. Depois, Aurelius nos emboscou. Horathor morreu no combate. O Rei, então, fugiu conjurando um dragão! Porém, antes, lançou uma magia de área, e matou Toramir. Ele pensou que tinha nos matado, também, e na hipótese disso não ter ocorrido, Aurelius iria nos matar. Conseguimos escapar... E descobrimos de um dos zelotes mortos que Darimir entregou umas Orbes para o Rei; As Orbes de Frestram. Não sabíamos quem era Frestram nem o que eram essas orbes. Além do mais, o rei ainda acha que estamos mortos, bem como o conselho .. Fomos então para o interior, longe da guerra, e falamos com Goramorir. Ele não sabia nada dessas Orbes, mas contou para nós quem era Frestram. Um antigo rei, mago também. O poder e a magia obcecaram sua visão e as trevas corromperam seu coração. Frestram traiu Gardênia e se exilou. Deduzimos que essas orbes são as orbes mágicas em que ele depositou a maior parte de seu poder. No exílio, Frestram acabou indo parar perto de onde hoje se queda a Cidade de Roma. Teve filhos. E esses filhos eram Rômulo e Remo, os fundadores de Roma... Eles não sabem usar por completo a Magia das Orbes... Aliás, os humanos daqui que não tiveram contacto com os Antigos Gardenianos, pelo menos, nunca pareceram entender bem Magia.. Mas por estarem em contacto com as Orbes eles acabaram por absorver alguma magia... Isso, talvez, explicaria como Roma cresceu tanto!
Hegör: Puxa vida! Então, é verdade!
Adalinnood: É verdade o quê?
Hegör: Bem... Descobrimos umas coisas, também...
Adalinnood: O que foi que descobriram?
Hegör: Bem, depois que a notícia da morte de vocês chegou ao conselho fomos designados por uma incursão nas pradarias. E lutamos bravamente, eu e meu irmão. Depois de algumas semanas de peleja conseguimos reduzir as forças de Aurelius, que liderava os Romanos... E, no final de uma batalha conseguimos encurralar e prendê-lo!
Ennë'ya: Então.. Aurelius está Preso! Puxa! Isso é fantástico!
Hegör: Não exatamente... Haviam reforços atrás de nós, nós sabíamos disso. Gorthon viria atrás de nós. Nosso acampamento estava bem seguro e escondido, mas parece que alguém denunciou a posição do acampamento para os romanos.. Eles atacaram nossos reforços e vieram, depois, resgatar Aurelius... No final a situação se inverteu e nós nos vimos cercados. Gorthon, Pili e Uhuru conseguiram sobreviver e nos ajudaram. Aurelius já estava longe, a essa altura. Gorthon conseguiu um diário... O diário de Aurelius... E descobriu coisas terríveis à respeito do Rei. Estávamos então decidindo sobre contar ou não para o conselho sobre o que Gorthon descobriu quando ele foi atingido por uma flechada certeira. Vimos um zelote na mata. Um zelote! Ele antes profanou alguma magia e a pradaria incendiou. Ele deve pensar que morremos lá.
Adalinnood: O diário de Aurelius? Zelote? Mais uma vez eles aparecem na história! Aposto que estão do lado do Rei... Aposto não, tenho quase certeza disso! Traidores!
Hegör: Bem, o Diário de Aurelius relata algumas coisas sobre o início da Guerra... E umas outras coisas e acontecimentos que me fazem ter certeza que foram os zelotes quem denunciaram nosso acampamento para Aurelius - e talvez foram eles, também, que denunciaram a sua posição, naquele encontro com o rei, nas ruínas.... E aposto também que foi tudo uma armação do próprio rei a morte de Horathor e de Toramir. Vocês tiveram sorte, tanto quanto nós...
Endör: Não enrole, irmão! Deixe-me contar, então: O diário fala sobre como Aurelius treinava numa academia secreta, quase igual a nossa Ordem de Cavaleiros Reais, nos tempos antes da Guerra. No diário ele relata que guerreiros alados, vindos do norte, numa noite atacaram a academia. Destruíram-na por completo, bem como mataram os guerreiros em treinamento e seus mestres. Mas o ataque não foi sem um motivo... Os alados também roubaram uma sala guarnecida nesse templo... Nessa sala, haviam três esferas muito brilhantes que emanavam algum poder mágico, provavelmente vindo dos deuses romanos... Eles roubaram essas esferas. Aurelius se escondeu, por isso sobreviveu ao ataque. Os romanos, então, souberam que esses tais guerreiros alados vieram do norte e que perto das fronteiras no norte havia um grupo de mercadores, voltando para Gardênia com muita velocidade, rumando em direção a Palmiertrift. Então ordenaram um ataque ao posto, na esperança das esferas estarem com esses supostos mercadores. Os zelotes realmente deixaram as esferas no posto, mas eles nunca foram encontradas. E o posto foi destruído...
Adalinnood: Então.. O ataque à Palmiertrift não foi exatamente uma hostilidade romana! Os guerreiros alados que Aurelius cita na realidade são zelotes, é claro! Antes da Guerra os Zelotes nem estavam perto da Capital! Ainda estavam reclusos, na montanha.. Só depois com o apelo do Rei eles decidiram se unir a nós... Mas o diário desmente isso tudo! O Rei já havia, então, entrado em contato com os Zelotes... Eles já estavam ao serviço do Rei. E tentaram roubar.... As Orbes! Eram as Orbes de Frestram!
Endör: Com certeza! Isso faz todo sentido! O diário relata que depois desse ataque e do posto ter sido destruído as Guerras Românicas então começaram... O fato é que essas orbes não chegaram ao rei. Ou, pelo menos, não tinham chegado até o rei... Devem ter ficado presas no meio dos destroços... E saqueadores devem tê-las pego.... Os zelotes, Darimir.... Todos eles devem então ter sido encarregados de achar quem estava com as Orbes e reuní-las, para entregar de volta ao rei!
Ennë'ya: Sim! Mas.. Isso durou... Treze anos!
Adalinnood: Na verdade 15, Ennë'ya. A guerra começou a 15 anos...
Hegör: O fato é que o rei agora tem as três orbes... Isso significa que ele tem um poder incrível!
Adalinnood: E ele poderá, então, governar não só toda Gardênia, mas como todo o mundo!
Ennë'ya: Isso não seria mal... Se as orbes não fossem carregadas de tanta magia negra! Frestram se corrompeu!
Endör: Será o Fim de Gardênia!
Adalinnood: Então, vamos só repassar uma coisa: Palmiertrift foi uma retalhação romana ao roubo, feito por zelotes, das Orbes de Frestram, por ordem do Rei. O Rei queria eliminar a mim, Ennë'ya, Horathor, Toramir, Gorthon e vocês dois... Por quê?
Endör: Acho que sei o porquê! Nós não tínhamos conhecimento dessa traição do rei. Ele deve nos julgar, então, como meros peões nisto tudo.. Acabei de notar que todos os cavaleiros que lutaram em Palmietrift morreram, depois, de uma maneira bem misteriosa ou suspeita... O único vivo era Horathor... Que morreu com vocês.
Adalinnood: Sim! O Conselho não sabe disso, também... Somente os Zelotes estão com o rei, mas não os Cavaleiros Reais! Precisamos avisar ao conselho, e Rápido!
Hegör: Sim! Precisamos ir para a Capital!
Adalinnood: Mas... Chegar lá não será fácil. Afinal, para o rei e seus zelotes e, infelizmente para o nosso conselho nós todos estamos mortos... Vocês precisam chegar a capital, mas de uma maneira sorrateira e sem chamar a atenção.... Além disso, precisam entrar lá também sorrateiramente e...
Hegör: Já estávamos cuidando disso... Vamos pelas Matas Élficas, e entraremos pelas galerias...
Adalinnood: Ótimo! É um bom plano. Ao avisar o conselho vocês poderão então deter o rei e...
Ennë'ya: Vocês? Adal, você não vem conosco?
Adalinnood: Não, não irei. Sou o último não humano dentre todos os cavaleiros reais, vocês repararam? Acho que posso conseguir mais ajuda ainda... Vocês conseguirão avisar o conselho e tomar as providências necessárias.. Eu vou voltar para além das Matas Élficas, vou adentrar no território dos Elfos e falar com os líderes... Acredito que eles saibam o que devemos fazer, também... Toda ajuda será bem vinda, não será?
Hegör: Não gostaria de nos separar, mas você tem razão.. De nada adiantará todos nós irmos para lá sem qualquer tipo de ajuda...
Adalinnood: Então está combinado! Voltem para a capital, sorrateiramente! Avisem o conselho e detenham o rei. Eu vou voltar às nossas origens e descobrir o que devemos fazer.
Endör: Sim!
Pili: Senhores, acredito que eu e Uhuru não devamos ir até o conselho com vocês...
Hegör: Por quê? Vocês tem ajudado tanto a nós, gardenianos, nesta guerra!
Uhuru: Concordo com Pili. Devemos voltar para África. Buscar ajuda, assim como Adalinnood fará.
Hegör: Se é o que decidiram...
Pili: Sim, é o que faremos.
Adalinnood: Então estamos combinados. Detenham o rei. Eu trarei mais ajuda! Voltem para a Capital mas não sejam vistos! Mesmo que isso signifique que vocês devam tomar o caminho mais longo, está bem? Mas não se atrasem muito também e...
Hegör: Certo, certo, entendemos, elfo! Hahahaha
Ennë'ya: Adal?
Adalinnood: O que foi, Enn?
Ennë'ya: São uns destroços... estranhos estes, não?
Adalinnood: São só destroços, com outros quaisquer...
Hegör: Eu entendi o que o jovem quis dizer, elfo! E concordo com ele... Estes destroços guardam muitas mágoas... É como se pudesse ouvir o grito de desespero de quem aqui estava....
Então os cavaleiros se separaram e cada um tomou o seu destino, como combinado, para poderem salvar Gardênia!
